Tema 1
Analiso criticamente este primeiro tema num grandioso fenómeno: a relação entre a escola e a sociedade. Para tal, recorro aos conceitos de produção e reprodução social. No que diz respeito ao primeiro, abordo o nascimento das Ciências Sociais; quanto ao segundo, foco-me na escola enquanto instituição fundamental na construção do estado-nação, especificamente nos conceitos de gramática da escola e modelo escolar. O objetivo único desta análise crítica é responder à questão: como é que as sociedades se reproduzem? Tudo isto será esquadrinhado à luz dos ensinamentos de Giddens (2008), Gauthier e Tardif (2010), Hofstetter e Schneuwly (2013)…
Começo pela contextualização histórica, seguida da definição de Sociologia. Historicamente, há quatro figuras incontornáveis da Sociologia. Auguste Comte (1798-1857) cunhou o termo Sociologia; defendeu-a como uma ciência positiva e, numa abordagem inovadora, recorreu aos mesmos métodos científicos que a Física e a Química utilizavam. A segunda personalidade é Émile Durkheim (1858-1917), muito ligado à Sociologia moderna. Este autor tratava os factos sociais como coisas, analisava a vida social com o mesmo método ligado à ciência do mundo natural e defendeu a importância da Sociologia enquanto ciência, o individuo, a formação da ordem social e as questões ligadas à autoridade moral. A terceira personalidade é Karl Marx (1818-1883), muito ligado aos tempos modernos e ao desenvolvimento do capitalismo. A sua visão era mais no sentido da conceção materialista da história, ligada aos fatores económicos e aos conflitos entre classes. O seu trabalho está muito ligado ao capital e ao trabalho assalariado. A quarta figura é Max Weber (1864-1920), muito centrado na Sociologia da ação social e não nas estruturas, como os autores anteriores fizeram. Para este sociólogo, a mudança social advém das ideias e dos valores. Defendeu o tipo ideal, algo importante para compreendermos o mundo social.
Na definição da Sociologia, esta é a disciplina que estuda, de uma forma sistemática, as sociedades humanas, com o foco específico nos sistemas modernos e industrializados. Reparem no uso do termo disciplina. Esta utilização não é por acaso; pelo contrário, começou a ser disciplina a partir de uma personalidade açoriana: chamava-se Teófilo de Braga (1843-1924). Uma figura incontornável do positivismo, que introduziu a Sociologia em Portugal juntamente com Júlio de Matos, com quem fundou a revista “O Positivismo”. Escrever sobre Teófilo de Braga é respeitar o seu legado como primeiro presidente do Governo Provisório da República (1910-1911) e segundo Presidente da República, substituindo o seu congénere açoriano Manuel de Arriaga, o primeiro Presidente da República.
A par da definição da Sociologia, existem três abordagens teóricas: funcionalismo, perspetiva do conflito e interacionismo simbólico. O funcionalismo assenta na sociedade como um corpo complexo e todas as partes da sua complexidade garantem a estabilidade e a solidariedade, sendo necessário o consenso moral para a manutenção da ordem. Na teoria da perspetiva do conflito, nascem as divisões na sociedade, o centralismo do poder, as desigualdades e a luta, mas uma luta muito ligada aos próprios interesses. Na interação simbólica existe a preocupação com a linguagem (autoconsciência) e o sentido (comportamento uns com os outros).
Apesar de o livro original de Giddens ter sido escrito em 2001 e de ter sido publicada a 6.ª edição em 2008, penso que há um desvio da Sociologia ao não abordar as perspetivas contemporâneas. Onde está refletido, por exemplo, o feminismo sociológico (faz referência a Harriet Martineau e nada mais)? Não houve tempo para se pensar no período pós-moderno? O que é feito da teoria social crítica? Depois, considerando todo o trabalho dos sociólogos clássicos até aos contributos de Teófilo de Braga, questiono a ausência de reflexão sobre como é que a Sociologia é aplicada nas políticas públicas? Não sendo explicada a Sociologia aplicada, questiono os métodos de pesquisa, em especial as questões éticas. Sem método não há prática. Por fim, questiono como é que a Sociologia se relaciona com a ciência política ou a psicologia social?
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Referências bibliográficas
Giddens, A. (2008). Sociologia (A. Figueiredo, A. P. D. Baltazar, C. L. da Silva, P. Matos, & V. Gil, Trad.; J. M. Sobral, Coord. cient.). Fundação Calouste Gulbenkian. (Trabalho original publicado em 2001)
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