Em construção...
O ponto de partida foi a conclusão da dissertação do mestrado, no ISCTE, mas faltava a data da defesa. Foi aí que parei para pensar que este cenário poderia voltar acontecer quando terminasse o mestrado em Ensino de Informática, na Lusófona.
Comecei a pesquisar por possíveis cursos de Doutoramento e tinha que tomar uma decisão: continuar o trabalho na área das tecnolgias ou voltar às bases das Ciências da Educação. Optei pela segunda e por duas simples razões: a primeira porque o que tinha aprendido na Universidade Aberta marcou-me profundamente a minha maneira de ser e estar neste mundo, como pessoa e profissional, a segunda porque os cursos que se seguiram, as pós-graduações, nenhum deles originou uma dissertação e prosseguimento para o 3.º Ciclo.
Sempre olhei (e continuo a olhar) para um doutoramento como um ciclo de estudos de prestígio e uma formalidade para lecionar no ensino superior. Nunca tinha pensado na possibilidade da via reflexiva, isto é, como ponte entre o que faço e o que penso sobre o que fiz. Depois e fruto de algumas conversas com colegas de profissão, fiquei com a imagem de que o doutoramento apenas serve para produzir ciência (pela via de métricas) e de acordo com as ideias já "pré-formatadas" e linhas de investigação dos professores que trabalham nos devidos departamentos. Esta imagem sempre me intrigou. Sempre me intrigou, porque uma coisa é uma ideia, uma descoberta ou outra coisa qualquer pré-formatada, outra coisa é agarrar nesta imagem e dar continuidade para melhorar, para contribuir, para progredir. No fundo, era este o meu pensamento.
Acabei por concorrer ao doutoramento da Universidade Lusófona. Li o plano de estudos, as principais páginas web dedicadas ao curso, os nomes dos docentes (a maioria pertencem ao meu mestrado em ensino de informática) e avancei com a candidatura, mas estava preocupado com dois pontos: ainda não tinha data para defender a dissertação e poderia ficar pendente até ser defendida e o receio de não ser admitido a candidatura a uma bolsa, pois este ano encontro-me desempregado para me dedicar a 100% ao estágio na escola cooperante e sabia que este estágio iria absorver muito do tempo disponível.
A boa notícia, a candidatura foi aceite e li o extrato da ata da reunião extraordinária da comissão científica, de 29 de julho de 2025. A má notícia, apresentei o pré-projeto de tese e apesar do sistema dizer que fiquei Apto, a realidade foi outra. Não fiquei apto. O que fiz a seguir foi mais um investimento para obter esclarecimentos de algo que estava claro no sistema. Marquei reunião com a diretora executiva do curso e a conversa não demorou mais do que 10 minutos. A conversa foi no sentido "volta para trás, nos Açores há bolsas" , "por vezes o sistema não é amigável" e "as bolsas não chegam para todos". Parecem palavras fáceis e simples, na realidade são, mas para quem não reside em Lisboa são verdadeiras facas bem afiadas. Terminei a reunião com uma frase simples "vim em vão e parto com outra ideia do curso". Perguntei se poderia levar um livro das Edições Lusófonas, desta vez sobre o associativismo e sindicalismo docente do ano de 2012. A resposta foi de que poderia levar aquele livro ou outro qualquer. Agradeci o tempo dispendido e fui direto para o aeroporto para voltar a casa. Voltei com um livro na mão. No avião, comecei a ler o livro, mas sempre com as palavras proferidas, na reunião, no meu pensamento. Comecei a refletir em todo o meu percurso académico, de onde vim, onde estou e para onde quero ir. Comecei a escrever que "para trás não volto, posso até voltar, mas voltarei diferente". Afinal, tinha acabado de concorrer a um doutoramento, aceite pela mesma diretora executiva, e tomado a decisão, mesmo com todas as dificuldades em mãos (outras tantas que aqui prefiro não registar) de querer continuar.