Redigido pela inteligência humana
Tema 5 - As desigualdades escolares e as explicações sociológicas
Nesta sessão do seminário, senti a necessidade de vestir o papel de um sociólogo educativo (como se esta "categoria profissional" não fizesse parte do corpus teórico das Ciências da Educação) e abster-me ou filtrar de alguns autores que não me conseguem ajudar no meu tema e problema de investigação "O que é ser professor?" Esta é a minha base. A minha pergunta, tal como uma criança quando está a aprender e questionar tudo e nos diz "o que é?", depois explicamos e volta a questionar "mas o que é?" e voltamos a explicar e aparece aquela mágica "porquê?" e explicamos, mas insistentemente a criança volta a questionar de outra forma "mas porquê?". Por isso, estou assim, na "zona" dos porquês a caminho da terceira idade!
Retomamos a discussão de alguns pensadores da sociologia, especificamente, Pierre Bourdieu. Este pensador foi um sociólogo Francês, muito ligado à teoria prática. Um dos conceitos centrais do autor é que ele não usa o termo recolha de dados, mas sim construção da recolha de dados. Isto porque e após alguns minutos de discussão no seminário, aprendi que um futuro investigador não faz a recolha de dados, mas sim constrói ativamente o objeto de investigação. Foi um sociólogo muito ligado aos termos do capital cultural, do habitus e ao campo social.
Depois discutimos o "pai da sociologia científica" e que já tinha apresentado nos temas anteriores, falo-vos de Émile Durkheim. O seu conceito central é que a sociedade evolui de solidariedade mecânica (comunidades homogéneas, laços por semelhança) para solidariedade orgânica (sociedades diferenciadas, laços por interdependência). No pensamento do autor, a solidariedade mecânica "nasce" nas sociedades simples e com consciência coletiva forte, enquanto que a orgânica "nasce" a divisão do trabalho, interdependência e o individualismo crescente.
Após uma pequena pausa sobre Durkheim, retomamos o pensamento de Talcott Parson (disponível com mais detalhes no final desta página). Foi um sociólogo que nasceu nos Estados Unidos da América e faleceu na Alemanha. Defendeu o funcionalismo estrutural e aqui entra um conceito mais robusto que integra o funcionalismo e o interpretativismo que apresentei no tema anterior: teoria dos sistemas. É certo que, a partir de agora, terei mais cuidado ao ouvir ambos, isto porque, não são indissociáveis. Para além da teoria dos sistemas, o sociólogo contribui com o modelo AGIL.Segundo o autor, todo o sistema social necessita de resolver quatro problemas funcionais para se manter: Adaptação (A) e muito ligado à economia; Alcance de metas (G), ligado à política; Integração (I) ligado às normas; Latência (L) ligado à cultura. O modelo AGIL é a síntese do funcionalismo estrutural de Parsons e cada letra é um subsistema que qualquer sociedade precisa de ter para funcionar. Portanto, a teoria dos sistemas nasce daqui.
Feita a discussão em torno de Parson, avançamos para Max Horkheimer. Foi co-fundador da teoria crítica e um dos seus principais argumentos é a distinção da razão instrumental, (meios-fins) de razão crítica (emancipatória) e o autor questiona a dominação através da ciência e da cultura.
Harmut Rosa
Nunca tinha lido nada sobre Harmut Rosa e quando tomei conhecimento do autor, acabei por ler o artigo do prof. Nuno Oliveira do CIES-Iscte. Li o conceito da ressonância. Associei-o ao bem estar do ser humano e quando lemos coisas que o ser humano entende o sentido da palavra, porque vivenciou situações (não são cenários da OCDE ou futuros da UNESCO) de vida que o obrigou a refletir, nada nos faz alterar comportamentos ao contrário da experiência vivida.
Ler Rosa, "obriga-me" a saber estar comigo cientificamente, mas cada palavra, cada registo de pensamento profundo "devolve-me" o sabor e força da Educação. Por agora, ficarei-me por aqui!
Gert Biesta
Já tinha abordado este autor numa outra Unidade Curricular e posso dizer que poderá ser um potencial autor na minha revisão da literatura científica. Tal como descrevi, no tema 3, que me revejo nas palavras de Émile Durkein e Max Weber, eis que incluo Gert Biesta, mas falta-me praticamente tudo, a começar pelas suas principais obras, especificamente, "Para além da aprendizagem"; "A Boa Educação num ano de medição"; "O belo risco da Educação" e a sua mais recente obra, "A redescoberta do ensino". Gosto da sua forma de pensar. Não sei pela minha experiência profissional ou pelo meu percurso escolar, mas o facto é que me enquadro no que diz. Resta saber se me poderá ser um excelente pilar para responder à minha questão: "O que é ser professor?" Incluir este autor na minha revisão de literatura, implica conhecer os seus inspiradores, como por exemplo, Paul Roberts (com destaque na obra "A sociedade do impulso") e Philipe Meirieu. Li, no mundo digital, mas ainda sem encontrar um artigo científico, que Biesta critica os estudos de PISA e faço o exercício das suas palavras nas minhas, isto é, a inutilidade dos relatórios publicados pelo PISA. Se alguém me provar ao contrário, apresente-me argumentos válidos, sem ser a velha máxima para posicionar Portugal num índice de qualquer coisa. Tudo isto, não nos faz pensar e refletir sobre a essência da Educação.
Thomas Piketty (criou um laboratório mundial sobre as desigualdades - https://inequalitylab.world/en)
Foi-nos apresentado um modelo esquemático sobre a obra "Capital e Ideologia (2019)". Naquele modelo esquemático ou quadro conceptual, foi possível interpretar a articulação existente entre quatro categorias (propriedade, fronteira, ideologia e conflito) para explicar os regimes de desigualdades na área da educação. O mais interessante do quadro esquemático foi a existência de uma fórmula síntese sobre a desigualdade. Isto foi algo que nunca tinha pensado, talvez fruto de ter "sobrevivido" ao longo da vida a algumas desigualdades e ter começado a investir mais nas fórmulas e modelos para minimizar as desigualdades, como por exemplo, o pensamento prospetivo, estratégia MIC MAC, entre outros. A fórmula de Piketty diz-nos o seguinte: Desigualdade = f (propriedade + fronteira + ideologia + conflito), mas diz-nos muito mais do que uma simples fórmula, sugere uma relação histórica e de escolhas políticas.
Cada conceito associado à fórmula merece uma profunda discussão, mas que não irei iniciar neste espaço digital, mas posso afirmar que a obra de Piketty serviu para clarificar a fronteira das desigualdades. Thomas Piketty é um economista social e político (considerado, por alguns, como um Neomarxista) as suas ideias são confrontadas por Susan Robertson, uma socióloga e teórica política e aborda a economia política cultural e crítica.
"A história da distribuição da riqueza foi sempre profundamente política, e não pode ser reduzida a mecanismos puramente económicos."
"A educação deixou de ser vista como um direito social ou um bem democrático para passar a funcionar como uma ferramenta de competitividade económica."
Resenha crítica da bibliografia obrigatória do tema 5
______________________________________________________________________
Referências bibliográficas
Abrantes, P. (2011). Revisitando a teoria da reprodução: Debate teórico e aplicações ao caso português. Análise Social, XLVI(199), 261–281. https://doi.org/10.31447/AS00032573.2011199.04
Benavente, A., Campiche, J., Seabra, T., & Sebastião, J. (1994). Renunciar à escola: O abandono escolar no ensino básico. Fim de Século.
Sarmento, M. J. (2019). Vicissitudes do ofício de aluno: De novo, o insucesso escolar em questão. In A. J. Afonso & J. A. Palhares (Orgs.), Entre a escola e a vida: A condição de jovem para além do ofício de aluno (pp. 31–48). Fundação Francisco Manuel Leão.
Teixeira Lopes, J. (2023). Elas: Percursos «inesperados» de jovens mulheres das classes populares. Tinta da China.*
*Sem acesso